Cronotopos Canibais no Sul Global:
A coprodução de histórias, lugares, e identificações

Os membros do CANIBAL desenvolvem projetos de pesquisa individuais, mencionados na seção “pesquisadores” deste site, que são discutidos nas reuniões do grupo e unidos por várias interseções compartilhadas e diálogos recíprocos. Além disso, as pesquisas desenvolvidas pelo coordenador do CANIBAL e por seus orientandos e supervisandos estão articuladas no projeto coletivo “Cronotopos Canibais no Sul Global”, que lhes dá um contexto teórico e comparativo comum. As pesquisas que compõem esse projeto analisam a mútua produção sociocultural de narrativas históricas, localidades geográficas, e identificações coletivas em diferentes contextos históricos e contemporâneos, especialmente pós-coloniais e diaspóricos. Partindo do pressuposto de que histórias, lugares, e identificações têm uma relação inextricável com práticas de poder e de resistência, o projeto se localiza na interseção das antropologias política, da história e do espaço.

A maioria das pesquisas individuais componentes deste projeto coletivo é baseada em trabalho de campo etnográfico e de arquivo, tratando temas tais como: museus da escravidão em Guadalupe e em Qatar; a relação entre espaço, escala, e história em Goa; a relação entre educação e nacionalismo no México; urbanismo e arquitetura modernistas em Moçambique; a mútua produção de localidades urbanas e relações raciais em Havana; e a representação museológica da violência política na Colômbia. Outras pesquisas têm um caráter mais bibliográfico, investigando como intelectuais latino-americanos, caribenhos, e asiáticos imaginam, representam, e narram identificações nacionais e regionais, diásporas e negritudes, e revoluções passadas e futuras.  

Portanto, para além da mútua produção de historicidades, lugares, e identificações – estudadas sempre em sua relação com o poder – o projeto focaliza diversas questões mais específicas, tais como pós-colonialismo, colonialismo, relações raciais, violência, capitalismo, nacionalismo, globalização, representações museológicas, e o trabalho de intelectuais. Justificando o título do projeto, as pesquisas que o compõem analisam como diferentes práticas sociais e semióticas são transportadas, transculturadas, e reinventadas em diversas partes do Sul Global. Entre os teóricos que mais inspiram o projeto se destacam Fernando Ortiz, Mikhail Bakhtin, Michel Foucault, Édouard Glissant, Yi-Fu Tuan, Benedict Anderson, Michel-Rolph Trouillot, e Jean e John Comaroff.